mademoiselles e messieurs

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Saudades...

Nossa, vocês nem imaginam a saudade que eu estava sentindo daqui mas precisei me afastar um pouquinho, eu estava muito chatinha, cheia de problemas para resolver e numa irritabilidade do cão. Ainda, não resolvi todas as pendências mas pelo menos tudo está bem encaminhado. Não sei como definir essa minha mania de sofrer por antecipação, esse meu imediatismo quase neurótico, de não saber esperar até o minuto seguinte, o dia de amanhã, quero que tudo aconteça agora, que seja pra já, sofro muito com isso. Quando fazia terapia (não tive alta mas dei um tempo) costumava  indagar se o motivo para tanta ansiedade era um defeito de personalidade, uma mania, insegurança ou um distúrbio psicológico, não consegui a resposta.... ainda. O fato é que nesses últimos meses andava assim, ansiosa, irritada, triste e  exigindo demais de mim e o que é pior dos outros. Percebi que quanto mais planejo as coisas, maiores são as chances delas não rolarem, não acontecerem e um dos motivos é que nem todo mundo está sincronizado no mesmo relógio, no caso o meu, nem sintonizado na mesma energia que a minha. E isso não quer dizer que as pessoas que estão do meu lado sejam mais lerdas, mais desligadas, mais preguiçosas do que eu, talvez sejam menos ansiosas, menos preocupadas e mais habilidosas em manejar o tempo e as emoções do que eu. Não dá para  projetar metodicamente o futuro, se não conseguimos sequer planejar o dia de amanhã (que já é o tal futuro), uma vez que ele está irremediavelmente preso,  condicionado ao dia de hoje, ao presente. Bazinga!!! Eu preciso aprender a viver o presente, um dia de cada vez , porque essa é a vida , ela é dinâmica, imprevísivel e essa imprevisibilidade é que a torna fascinante e bela. Não saber o que vai acontecer daqui a exatamente cinco segundos, não saber se vou conseguir chegar ao fim desta prosa, mostra o quanto sou vulnerável, frágil e que não tenho o menor controle do meu tempo, do meu futuro, por mais que eu tente controlar tudo, algo sempre foge por entre os dedos, sempre escorrega e é preciso conviver serenamente com as decepções, frustrações, do contrário a existência se torna perturbadoramente difícil, insuportavelmente pesada, sofrida. Assim, o que dá pra ser planejado, pra ser feito, que o seja, já para aquelas coisas que a despeito de todo o nosso esforço ,necessitam de algo mais para se concretizarem...pra elas só nos resta  esperar e se possível com o mínimo de ansiedade. Quanto a mim estou em compasso de espera, liguei meu stand by pra alguns problemas que não posso dá jeito, pois, como diz a sabedoria popular "o que não tem remédio, remediado está.  Para todo o resto, aquilo que só depende de mim, começo a fazer e acontecer, viajo nessa sexta lá pra serra, vou visitar minha avó, dar-lhe um beijo e dizer que a amo, se ela vai me reconhecer não sei, vou ter que esperar pra ver, o que sei é que HOJE eu estou feliz porque vou revê-la depois de longos três anos, em que fugi por não aceitar sua velhice, sua doença, por não aceitar a minha impotência diante disso, a minha  total fragilidade.
Agora, vou visitar vocês de quem estava com tantas saudades.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Carpe diem...



Ultimamente, tudo que penso, escrevo, são dores, tristezas, ressentimentos, algumas coisas totalmente impublicáveis, porque revelam a minha fragilidade momentânea ou quiçá permanente. Acho que já nasci triste, uma pessoa de alma triste. Eu admiro pessoas alegres, de sorriso fácil e sincero, que irradiam bom humor e alegria aonde chegam e acabam por contagiar os que estão à sua volta, assim naturalmente, sem forçar nada. Infelizmente, para contrapor tanta euforia e graça, existe outra leva de gente que costuma ser econômica no ato de sorrir e que geralmente é um desastre quando tenta ser mais sociável além do minimamente recomendado. Sou assim, meu sorriso é tímido, não sei contar piadas, não canto nem encanto. Por que estou falando isto? Porque é fato que atravesso uma das fases mais tristes da minha vida. E toda vez que tento escrever aqui, só sai isto,  pensamentos introspectivos, melancólicos,palavras de gosto amargo e sinceramente eu não acho legal servir aqui um texto mal acabado e tão pra baixo, ninguém merece tanta amargura, então, se alguém ler isto, peço que me desculpe por estar tão vulnerável, tão chata. Eu , junto com os meus achismos," acreditamos "que esta situação já vem se desenhando há tempos e agora está aí na minha frente, prontinha, feito um monstro de tristeza, solidão e saudades. Tenho sentido tantas saudades. Eis o nome da minha dor SAUDADES. Sinto  falta de pessoas, coisas, situações. Mas de verdade, não se trata de depressão,  não estou precisando de ajuda médica, tampouco de medicação tarja preta, pelo menos ainda. Como diz o sábio matuto aqui do meu Siará, o que sinto é uma dor que começa na "boca do estômago e quando chega no coração, dói tanto que parece que vai sufocar",é tão grande a danada que arrepia até a alma", portanto,é uma saudade absurda de tudo que vivi, das pessoas que passaram na minha vida e que se foram, sem deixar nenhum aviso. Fico "matutando"se não devia ter uma lei que proibísse as pessoas de partirem assim, sem nos preparar para este fatídico dia. E aí a gente fica marcando bobeira, deixa de falar o que tem vontade com medo do rídiculo, de parecer piegas, vai abortando as emoções, adiando o abraço, dizendo que noutra oportunidade fará isto, dirá aquilo , como se fossêmos senhores do nosso tempo, como se ele andasse conforme o planejado por nós, esquecemos  de uma coisinha trivial, tola, "o tempo não pára´!.Quando tomamos plena consciência disto já é tarde, o que era deixou de ser, a pessoa já não está mais disponível, partiu e não deixou recado, sinal, nada para nos consolar, ou então na nossa onipotência ou ignorância ,não fomos sagazes o suficiente para avistar tais sinais. Ao longo dos anos perdi muita gente, deixei muitas pessoas sairem da minha vida, sem me aperceber disto e quando as procurei já haviam partido. Passei uns dois anos, adiando uma visita à minha avó materna, sempre que dizia que ia vê-la, aparecia um compromisso, algo que julgava mais urgente e acabava adiando a viagem, agora que quero ir , para  abraçá-la, dizer do meu amor por ela, da importância dela na minha vida, parece não haver mais tempo, não faz mais sentido.Minha avó partiu para um outro lugar, o alzheimer a pegou de jeito e a tirou de nós, ela está aqui mas não está, tem os olhos perdidos num lugar que não se sabe onde fica , nada que eu fale ou faça, para ela já não quer dizer nada. Perdi a oportunidade, deixei de lhe dizer o que sentia, hoje, quero ouvir sua voz mas não posso, quero ver o seu olhar  curioso mas não é possível, quero vê-la sorrir pra mim  já não dá mais. Tudo o que me remete á ela, são apenas saudades, lembranças,eu achei que ia tê-la  para sempre, caprichosamente zombei da ordem natural das coisas, que aquela mulher forte que minha avó era jamais iria envelhecer, desafiei o tempo e ele foi implacável, me acertou em cheio, como se tirasse meu chão,  como se  fosse uma força sobrenatural a me apertar o pescoço, me tirando o ar,me sufocando em lágrimas, me deixando sem chão, sem ter onde me amparar,  não tenho mais tempo, só restou uma saudade amarga,dolorida, a tomar conta de mim. Não colhi o dia, não aproveitei o momento. Carpe diem, meus queridos, carpe diem.