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| Mademoiselle Hilda Hilst, bonita, inteligente e culta, deixou tudo para trás e refugiou-se numa chácara em São Paulo, para exercer o seu maior mister que era escrever. |
Nesse feriado, sem saber onde havia colocado o livro que estava lendo (chama-se "a exceção" e custou R$ 9,99 nas Lojas Americanas, não estranhe mas eu compro livros em qualquer ocasião e lugar),fui procurá-lo e acabei me deparando com um outro livro que não sei como foi parar nas minhas coisas e nem sei a quem pertence (não, eu não furtei) , enfim, se for de algum conhecido o livro chama-se "A arte de viver sozinha", a autora é a francesa Daniéle Laufer e lamento informar mas só vou devolvê-lo quando terminar de ler. Como tenho o hábito de ler mais de três livros ao mesmo tempo, pois não tenho paciência de ler um mesmo assunto por dias seguidos(sim, eu tenho problemas e faço terapia, ok?), comecei a ler o dito cujo e gostei. Uma coisa que me chamou atenção foi o fato dele ter sido escrito há quase vinte anos e mesmo assim conseguir manter-se atual, ou seja, as mesmas inseguranças, medos e incertezas que atormentavam as mulheres sozinhas naquela época são também pertinentes à nós, mulheres de agora . Perguntas do tipo: E se eu mudasse o visual? Ou arranjasse um novo trabalho? Como é que eu vou trocar sozinha o pneu do carro, a lâmpada que queimou e abrir o vidro de palmito? (Não sei quanto a vocês mas essas coisas eu não consigo fazer mesmo). Posso sair com casais amigos sem ter a sensação de "vela"? Paquerar ou ser paquerada? Achei o livro inteligente, bem humorado e ele como os outros do gênero, pode ajudar sim, nem que seja a ter uma visão mais leve e otimista da situação pela qual se está passando, assim, o grande mote para quem está solteira por opção própria ou do outro, é tentar viver em alto astral, descobrindo as delícias proporcionadas pela liberdade, como novos programas, novas amizades e até um novo amor. E enquanto ele não vem que tal aproveitar pequenos prazeres e descobrir que viver sozinha pode ser formidável. Já imaginou poder assistir ao filme que tiver vontade, quando quiser e se encher de pipoca e doces, sem ninguém pra dizer o quanto você vai engordar comendo aquilo. Poder colocar o dedo no nariz quando tiver vontade( ok, isso também não me agrada mas a autora é francesa). Poder começar um tubo de pasta de dentes apertando bem no meio. Manter a porta do banheiro sempre aberta. Não precisar tomar banho se você só tem vontade de lavar o rosto e os pés (calma gente, eu já avisei que a moça é francesa). Poder comer alho e cebola crua sem escrupúlos, ser perfeitamente egoísta e egocêntrica, viver no seu próprio ritmo. Não ser obrigada a se entrincheirar no banheiro para tirar um cravo... é a maior das beatitudes. E saber que ainda tem xampu no vidro comprado na última semana . São pequenos prazeres incomensuráveis . Poder até dormir com um urso de pelúcia se der vontade, afinal a cama é só sua . Eu ainda acrescentaria a essa listinha , algo que considero o pior em ser mulher, depois da TPM é claro, que é manter a depilação sempre em dia , oh céus , isso é uma tortura. E eles nem avaliam o quanto sofremos. Tudo isso pode parecer fútil, mas não nos enganemos, pois ainda vai mais longe. Já que esse celibato, espontâneo ou forçado, é uma descoberta de si mesma. Na vida a dois, nos perdemos um pouco de nós mesmas no decorrer do caminho. O que é natural, pois nos misturamos com outra pessoa e muitas vezes deixamos de ser o que realmente somos e passamos a projetar uma imagem de nós muito mais para agradar ao outro, e nessa de querer agradar ao outro, aceitamos o que o outro faz para nos agradar, mesmo que realmente não nos agrade. Entenderam? Passamos todo o tempo fazendo concessões e acabamos nos tornando uma excelente companhia, nada mais do que isso. Quando na verdade já não sabemos quem somos e o que queremos. Quando se está sozinha, avança-se em direção á própria verdade e por mais que isso possa parecer aterrorizante, não mata. Encarar essa nova fase da vida com otimismo e bom humor, permanente ou não, te fará melhor, trará aprendizado. Aprender a dizer não. Não, ao que a chateia. . Não, ao que você não está a fim, portanto não vai fazer. Viver sozinha é ter acesso a um egoísmo soberano.
Agora, se você é uma daquelas que adquiriu o " pacote felicidade" com que toda adolescente (mesmo a mais moderninha ) sonha: casa, marido e filhos, sinto dizer que todo o resto é possível mudar, a casa, o marido, mas os filhos, estes, jamais te deixarão sentir a sensação de estar só, para o bem e para o mal, eles estarão sempre por perto, gritando: Mãeeeeeeeeee. E não adianta sonhar com o dia em que eles estarão crescidos, empregados e morando sozinhos, assim mesmo, estarão ali e agradeça á Deus por isso. Duvida? Pergunte a sua mãe. Afinal, pra quem você liga quando está sozinha (Alô mamãe.....).