mademoiselles e messieurs

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Carpe diem...



Ultimamente, tudo que penso, escrevo, são dores, tristezas, ressentimentos, algumas coisas totalmente impublicáveis, porque revelam a minha fragilidade momentânea ou quiçá permanente. Acho que já nasci triste, uma pessoa de alma triste. Eu admiro pessoas alegres, de sorriso fácil e sincero, que irradiam bom humor e alegria aonde chegam e acabam por contagiar os que estão à sua volta, assim naturalmente, sem forçar nada. Infelizmente, para contrapor tanta euforia e graça, existe outra leva de gente que costuma ser econômica no ato de sorrir e que geralmente é um desastre quando tenta ser mais sociável além do minimamente recomendado. Sou assim, meu sorriso é tímido, não sei contar piadas, não canto nem encanto. Por que estou falando isto? Porque é fato que atravesso uma das fases mais tristes da minha vida. E toda vez que tento escrever aqui, só sai isto,  pensamentos introspectivos, melancólicos,palavras de gosto amargo e sinceramente eu não acho legal servir aqui um texto mal acabado e tão pra baixo, ninguém merece tanta amargura, então, se alguém ler isto, peço que me desculpe por estar tão vulnerável, tão chata. Eu , junto com os meus achismos," acreditamos "que esta situação já vem se desenhando há tempos e agora está aí na minha frente, prontinha, feito um monstro de tristeza, solidão e saudades. Tenho sentido tantas saudades. Eis o nome da minha dor SAUDADES. Sinto  falta de pessoas, coisas, situações. Mas de verdade, não se trata de depressão,  não estou precisando de ajuda médica, tampouco de medicação tarja preta, pelo menos ainda. Como diz o sábio matuto aqui do meu Siará, o que sinto é uma dor que começa na "boca do estômago e quando chega no coração, dói tanto que parece que vai sufocar",é tão grande a danada que arrepia até a alma", portanto,é uma saudade absurda de tudo que vivi, das pessoas que passaram na minha vida e que se foram, sem deixar nenhum aviso. Fico "matutando"se não devia ter uma lei que proibísse as pessoas de partirem assim, sem nos preparar para este fatídico dia. E aí a gente fica marcando bobeira, deixa de falar o que tem vontade com medo do rídiculo, de parecer piegas, vai abortando as emoções, adiando o abraço, dizendo que noutra oportunidade fará isto, dirá aquilo , como se fossêmos senhores do nosso tempo, como se ele andasse conforme o planejado por nós, esquecemos  de uma coisinha trivial, tola, "o tempo não pára´!.Quando tomamos plena consciência disto já é tarde, o que era deixou de ser, a pessoa já não está mais disponível, partiu e não deixou recado, sinal, nada para nos consolar, ou então na nossa onipotência ou ignorância ,não fomos sagazes o suficiente para avistar tais sinais. Ao longo dos anos perdi muita gente, deixei muitas pessoas sairem da minha vida, sem me aperceber disto e quando as procurei já haviam partido. Passei uns dois anos, adiando uma visita à minha avó materna, sempre que dizia que ia vê-la, aparecia um compromisso, algo que julgava mais urgente e acabava adiando a viagem, agora que quero ir , para  abraçá-la, dizer do meu amor por ela, da importância dela na minha vida, parece não haver mais tempo, não faz mais sentido.Minha avó partiu para um outro lugar, o alzheimer a pegou de jeito e a tirou de nós, ela está aqui mas não está, tem os olhos perdidos num lugar que não se sabe onde fica , nada que eu fale ou faça, para ela já não quer dizer nada. Perdi a oportunidade, deixei de lhe dizer o que sentia, hoje, quero ouvir sua voz mas não posso, quero ver o seu olhar  curioso mas não é possível, quero vê-la sorrir pra mim  já não dá mais. Tudo o que me remete á ela, são apenas saudades, lembranças,eu achei que ia tê-la  para sempre, caprichosamente zombei da ordem natural das coisas, que aquela mulher forte que minha avó era jamais iria envelhecer, desafiei o tempo e ele foi implacável, me acertou em cheio, como se tirasse meu chão,  como se  fosse uma força sobrenatural a me apertar o pescoço, me tirando o ar,me sufocando em lágrimas, me deixando sem chão, sem ter onde me amparar,  não tenho mais tempo, só restou uma saudade amarga,dolorida, a tomar conta de mim. Não colhi o dia, não aproveitei o momento. Carpe diem, meus queridos, carpe diem.

15 comentários:

  1. Não tem jeito, a boca fala do que o coração tá cheio. Parece que não cabe tanta coisa e transborda...e esse blog é seu, oras! Desabafe o quanto quiser, o quanto precisar.
    Eu vou ser muuuuito honesta: tenho vários problemas na vida, já passei por perrengues homéricos, mas não sei ser triste e para ser mais honesta ainda: não entendo a tristeza.
    Acho que o que me dá força é a minha fé. Eu sei que isso aqui é uma passagem, então eu é que não topo perder tempo alimentando sentimentos ruins. Perdi pessoas amadas desde muito cedinho, e isso me fez ver que partes do caminho eu ia ter que trilhar sozinha. Mas isso nunca me fez parar. As pessoas descem em estações diferentes, mas a viagem continua. Nem todos querem ir para o mesmo lugar que eu. Mas do meu caminho ninguém me tira. Sempre vai ter algum viajante disposto a fazer companhia. Se for por um trecho, ok. Se for até o final da linha, ótimo. Não saber o tempo de viagem a faz preciosa em cada instante, me faz não deixar pra depois o que eu quero falar, sentir, sorrir...
    Sorrir é um remédio para minha alma, é por onde ela respira.
    Desejo seu ano de 2011 mais feliz, florzinha!!!
    (e se não for abusar, com um blog mais leve pq demoro um século para ler...rs)
    bjs

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  2. Realmente tanta tristeza!

    Posso perguntar que idade tens? Os teus posts são sempre extensos mas não me canso de os ler, gosto muito da forma como transcreves os sentimentos.

    Também passo por muitos dias assim, mas nós portuguesas já é normal, voces não. Voces têm o samba no pé a praia e o sol a iluminar as vossas caras e as vossas vidas, parece que nunca nada vos afecta!
    É muito bonito ver o sentimento que tens pela tua avó... pode ser que um dia a apanhas melhor e que até te reconheça.
    Não guardes mais as palavras.
    Além disso o blog é teu, deita para fora tudo o que quiseres! Se não explodes!!

    Força,
    um beijinho

    Lúcia

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  3. Vc me lembra em seu texto uma música cantada por Oswaldo Montenegro "A Lista". Já ouviu?;.. se não..ouça!. É bem esta nostalgia tal que te embala. Vc está na casa dos 35 ?. Se for isto é natural a saudades do que passou a saudade do que se foi. È processo de envelhecimento, nã o envelhcimento de rugas..etal..nao fique triste..é o envelhicmento no caminho da maturidade, se faz um balanço. Sente saudades da adolescencia..da infancia..de pequenos atos que cometemos e hje já nao teria tanta graça comete-lo..enfim..daria um estudo de caso...risos. Lindo o programar do seu coraçao pra expor teus fatos.! bjos.

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  5. Mais uma vez me emociono lendo vc, Yanne...
    Também passei por isso, com minha avó paterna, e tbm minha madrinha, ela era uma mulher forte, ficou viúva com 6 filhos aos 30 anos, e jamais casou novamente, morreu aos 97, mas até 95 nos contava em detalhes sua infância, adolescência, casos diversos, herdei dela a 'verborragia'! Mas, depois, o 'alemão' tbm a atacou, e pronto, perdi minha avó, e tbm sem dizer tudo que queria ter falado...
    Vc é bem sensível, reflexiva, isso não é necessariamente ser triste, mas, claro nao te conheço bem, eu tbm sou bem reflexiva, mas procuro me lembrar das melhores coisas, msm que as difíceis tbm rondem! E sim, amiga, aproveito o dia!
    Espero que vc fique melhor ao desabafar,afinal é sempre bom verbalizar...
    Um beijo carinhoso!

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  6. Olá, Yanne...
    Navegando pela internet, achei este seu espaço...
    Olha, muito bom o seu blog, suas idéias, sensibilidade e seu bom gosto...
    Parabéns pelo trabalho! Estou te seguindo.
    Saudações,
    EDU (http://edurjedu.blogspot.com)

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  7. Ola querida Yanne......

    te contar uma coisa, Não tenha receio de escrever.. coloque tudo pra fora mas tudo mesmo se alguém vai ler ou não?!.
    não se importe ou se preocupe com isso blog é pra isso pra desabafo quem tem blog não precisa de psicologo eu costumo dizer isso, eu sei exatamente de tudo que falou saudade minha cara é mal de quem ama, ela nos fere nos maltrata a alma e deixam marcas que só nós sabemos e sentimos..
    é como uma ferida que não sara cria uma crosta grossa por cima, mas esta ali e a qualquer movimento sangra...

    um beijo e uma quinta de paz...
    e vamo que vamo devagar mas sempre todo dia um pouquinho agente chega lá...

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  8. Yanne, obrigada pela visita e principalmente em compartilhar sua história comigo. A vida de fato é cheia de surpresas, algumas muito boas, outras nem tanto, mas com fé em Deus sei que vou passar por esse deserto, mais fortalecida, e tendo aprendido a valorizar aquilo que realmente é relevante na vida, pra honra e glória de Jesus!
    Grata por dividir comigo um momento tão particular seu, obrigada!
    Abraços.

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  9. Oi Yanne...

    Obrigada pela visita e tb por fazer parte do meu cantinho...

    Sabe...eu fiquei impressionada com seu texto...vc escreveu e descreveu os seus sentimentos de uma forma clara...sincera...e honesta ...

    Nunca consegui fazer isso na minha vida...sou como uma ostra....dai...eu escolho as poesias...que falam por mim...

    Adorei seu jeito...

    Bjos e carinho!

    Zil

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  10. Olá Yanne!

    Não fique triste, não.
    A vida é um eterno vai e vem.
    O que mais importa, é o que ficou daqueles momentos!
    Sendo assim...Que tal ganhar uma nova amiga!?
    Te sigo com alegria!

    Um abraço.
    Gislene.

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  11. Yanne vc está muito triste. Será que não tem haver também com a distância dos seus filhos.
    Compreendo tudo o que escreve, também muitas vezes me pego pensando se eu tivesse agido de outra forma como seria.
    Qdo cursei minha primeira faculdade, era muito jovem e por isso, só fiz realmente amizade com 2 pessoas. Resultado uma tinha ciúmes da outra e fez o que pode p/ me distanciar - hoje não tenho mais amizade com nenhuma das duas, me afastei de uma e a outra se afastou de mim, talvez se na época tivesse agido de outra maneira teria amigos até hoje ou não, ninguém pode imaginar o que o tempo e o distanciamento irão nos proporcionar.
    Na minha 2ª faculdade, decidi agir de outra maneira, faço amizade com todos, me dedico a todos, mas sempre desejo que os outros façam por mim o que faço por eles, mas a recíproca nunca é a mesma e eu sigo assim sempre a espera que as pessoas olhem um pouquinho pra mim.
    Por isso gosto tanto das minhas amizades nos blogs é impressionante como mesmo distante temos pessoas que se identificam conosco e tornam nossa vida mais suportável.
    bjs

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  12. Ola Yanne,
    Bem para começar a te dar felicidade te direi:
    Seu nome é lindo!
    Depois a sua filha esta ai ao seu lado para voce fazer o que deixou de fazer com a sua avo... Que por sinal, penso que esta culpa que voce esta sentindo nao deve ser assim tao drasdica, porque na verdade voce demonstra ser por demais carinhosa para ter ignorado ao exagero a sua avo!
    Eu nunca vivi ao lado de quem possui esta doença mas li um livro escrito em italiano intitulado: Mi manchi...(Sinto sua falta) Era uma mulher falando de seu irmao ao qual ela amava, mas estava como a sua avo.
    Ela ao lado dele, nao recebia resposta de nada, mas falava com ele coo uma tagarela... cuidava dele como se ele entendesse tudo! Nao me lembro do final, li muitos anos atras e realmente nao me lembro.

    Yanne, eu queria te dizer uma outra coisa que nao tem nada haver com o que voce falou... E' sobre a cor que voce esta usando em seus textos... atrapalha demais a leitura, e voce escreve assim com tanta dedicaçao, a gente nao sente vontade de parar de ler, mas a cor dificulta demais,porque sao duas cores fortes e claras tanto no texto quanto em recados, rsrsrs desculpe de coraçao! Eu to so querendo ajudar com que o seus leitores permaneçam lendo. rsrsrs Desculpe, mas eu sou assim, eu falo mesmo!

    Quanto a nascer triste, eu também sou triste, mas nao sempre, adoro a solidao, eu converso comigo mesma...me auto-analiso coo voce esta fazendo com voce!
    E estas pessoas que voce ve por ai cheio de alegria... Tranquila! Elas sao tristes também, mas sabem fingir para disfarçar é so isto... Adquiriram com o tempo esta arte, coisas que muitos nao conseguem fazer, nao porque nao é capaz ou nao quer, é simplesmente porque a tristeza é um bom alimento para alma, pois faz a gente crescer.

    Nao invejar ninguem!! Todos sofrem! Muitos tem mais dinheiro e isto ajuda um pouco porque quando estao triste fazem uma viagem e passa!

    Procure admirar suas conquistas e o que voce nao fez procure fazer, mesmo que ninguem te escute faça!
    Quem podera provar que nao te escutaram ou nao escutarao? Que sera que tem dentro da alma de sua avo? Quem pode dizer de verdade que ela nao sente... talvez sinta mas o cerebro nao a deixa expressar...
    Nao sentir remorso por nada que voce nao fez, nunca se arrependa de seus erros porque eles foram so ensinamentos para uma sabedoria.
    O que voce nao fez, as sua avo também nao fez... Voce nao foi até a ela, mas ela também nao foi a voce... a vida é assim... cada um tem de seguir um caminho, é inevitavel!

    Eu nao vejo meus pais faz 8anos... é assim. Eu fiz uma escolha e tenho de enfrentar as perdas.
    Minha filha levou minha neta para outra cidade, e quase nao a vejo mais... Mas sei que ela esta criando o seu mundo e isto me conforta!

    Falei demais, porque acho que queria levantar seu astral. Voce tem de amar este seu personagem, faz ele ficar forte que voce vai longe!
    Beijos no seu coraçao! Ah obrigada por ler aquele conto, se voce caminhar pelo meu blog vai encontrar tanta coisa de tristeza de insatisfaçao. Tem um la que se chama: Porque eu sou assim? Se voce ler vai ver o quanto somos parecidas, rsrs

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  13. Olá! primeiramente feliz, muito feliz ano novo, ou seja, nada de tristeza!
    bjsssss

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  14. Yanne obrigado por seguir o HBC HD, pois já estamos te seguindo. Não deixe de nos visitar. Um abraço!

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  15. O que sentimos na alma faz parte de nós nunca devemos ter embaraço por deixar sair o que nos vai na alma...bjs..obrigado pela visita..seguindo-te

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