Quando estou aí ,tenho a impressão que posso tocar o céu com as mãos...
(A menina da menina, na Igreja do Céu - Viçosa do Ceará)
Não nasci em Fortaleza, vim para cá bem novinha para terminar os estudos, cursar uma faculdade e depois fazer o caminho de volta pra casa mas eu nunca fiz este caminho em definitivo. A Capital nunca permitiu que eu retornasse para o interior, pois, me tomou de jeito, me acolheu, me deu flores , frutos , espinhos também e lhe sou muito grata por tudo. Chegar até aqui, foi uma caminhada díficil, tudo era novo, "admirável mundo novo", eita medo que eu senti, tinha medo do desconhecido ,de fracassar, de me perder de mim mesma. Vencer tudo isto, exigiu sacrifícios e muita determinação da menina matuta que eu era. Muitas vezes quando a saudade doía muito, eu pedia aos prantos pra voltar pra casa mas minha mãe na sua infinita sabedoria nunca deixou, e assim ,eu seguia fazendo o que tinha que ser feito mas sempre imaginando o dia em que regressaria para junto dos meus, para o meu lugar. De vez em quando, como hoje ,me pego pensando o que teria acontecido se tivesse retornado, o que teria sido feito daquela menina, que veio sozinha, lá da serra, para enfrentar um mundo tão diferente do seu. Sinceramente eu não sei, não consigo imaginar minha vida diferente da que tenho, estudei, me formei, amei, casei, descasei, tive filhos, é verdade que nem tudo saiu como o planejado mas no geral estou muito feliz com o que alcancei, com o que sou, a menina ingênua e curiosa, venceu na cidade grande. Mas onde está aquela menina? Será que ainda restou um pouco dela neste meu corpo de mulher madura? São perguntas que também me faço e pra minha felicidade, vira e mexe dou de cara com esta menina. Ela vive nas coisas simples que aprecio e valorizo, está no sorriso da minha filha e no olhar curioso do meu filho, está guardada em mim. Mas é quando viajo para o interior , lá pra serra, que sinto ela mais próxima, eu até consigo ver a menina brincando nas ruas da cidade, de pés descalços, tomando banho de chuva, jogando bila (bolinha de gude) nas calçadas de terra, brincando de pião, soltando papagaio ( pipa), comendo manga verde com sal, jeito de moleque, arteira, inquieta, encapetada, livre, esta menina sou eu e vai estar sempre aqui, no meu coração... eternamente.
Um bocadinho do lugar de onde eu vim....
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| O "portal" |
recanto
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| paisagem tão conhecida |
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| que me traz tantas lembranças |
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| São 365 degraus para se chegar ao Paraíso |
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| e finalmente ele, o Céu. |
A quem possa interessar, garanto que a menina continua matuta. Graças à Deus.





