Se fosse definir o período difícil que a minha vida atravessa desde julho de 2010 até este momento, diria que estou no meu "inferno astral" ou no meu "inferno particular", tamanha são as dores, as angústias e as provações. Mas não gosto dessa expressão,definitivamente não a aceito, talvez porque não acredite na força e na simbologia que muitos atribuem a ela, mesmo achando que o inferno deva ser algo mais ou menos parecido com isso que estou passando.
Eu não quero, não posso cruzar os braços e deixar que os meus medos e incertezas, por mais sombrios que sejam nesse momento,me dominem e me vençam. Não pensem vocês que isso é tarefa fácil, principalmente, se tudo o que meu corpo pede e quer é que eu entregue os pontos, que pare de lutar, que me deixe afundar na minha cama dia após dia, como se não existisse razão pra me manter em pé, como se não vislumbrasse um amanhã, no meio de tanta desesperança.
Mulher, você precisa sair dessa! É o que eu digo pra mim todos os dias. Pára, agora, de se culpar pelos erros que cometeu, pára de se torturar pelo que deixou de fazer, deixa de castigar teu corpo, maltratar tua mente, porque voltar atrás não é possível, o que tá feito já era, mas repara: ainda dá tempo pra fazer algo....
E mesmo que você não faça muito, é burrice deixar de fazer um pouquinho que seja, por achar que se não for algo grande não serve, não tem importância. Santa ignorância, a sua!!!
Então a ordem é manter-se otimista, é resgatar a vontade de viver, é lutar, se preparar para entrar novamente no ringue, levantar os punhos pra impedir o nocaute do inimigo. Chega de ir à lona, quero pés firmes para não cair na primeira rasteira que estiver por vir. Eu quero isso, quero agir assim, preciso ter coragem mas onde encontrar a força necessária???
É certo que sou uma mulher de fé, tenho uma fé genuína, verdadeira em Deus, disso, nem eu nem ele (DEUS) , temos dúvidas. "Senhor, eu sei que tu me sondas!" e só tu sabes o que passa no meu coração.Mas será que só a minha fé é suficiente para vencer tamanhas atribulações?Sim, pois, Deus que conhece intimamente cada um de nós, sabe do que necessitamos e principalmente o que conseguimos suportar.
Não é Deus que nos inflige o sofrimento, somos nós que o buscamos, que nos predispomos ás enfermidades.
Nesses dias, de profunda enfermidade física e espiritual, me deparei sem querer (???), por coincidência, com exemplos de superação que me fizeram sentir o quanto eu sou pequena, fraca e covarde. É evidente, que nessa vida nada é sem querer ou por acaso, tudo tem sentido e razão de ser, é que estamos tão centrados no movimento orbital do nosso umbigo que esquecemos de reparar nos pequenos detalhes e ele , DEUS, está principalmente nos pequenos detalhes.
Assim, meu Deus, vou abrir esses meus olhos tão viciados, treinados, nas coisas terrenas, materiais e quem sabe assim, eu não passe a sentir a tua presença nas coisas mais simples da vida, nos gestos sutis, nas palavras mansas e nos exemplos de meus semelhantes, que diante das atribulações se mostram tão guerreiros e tão fortalecidos, que eu só posso concluir que toda essa forca advem de Ti.
Pois bem, outro dia, conheci a história da advogada criminalista e sócia de um importante escritório de advocacia paulista, Alexandra Lebelson Szafir, e a sensação que tive foi como se levasse um tapa na cara, um tratamento de choque mesmo, e que me fez pensar sobre que tipo de pessoa eu sou, confesso que senti muita vergonha de mim. Apesar de termos a mesma profissão, e de Alexandra fazer um trabalho extraordinário, atendendo pessoas carentes, que não podem pagar um advogado para defender seus interesses judicialmente, o mesmo público a quem eu também presto assistência , eu desconhecia sua história. E foi com esse trabalho de auxílio aos menos favorecidos que ela recebeu em 2005, do Tribunal de Justiça de São Paulo, o Prêmio Advocacia Solidária, por livrar da cadeia pessoas que sem a sua ajuda passariam anos a fio sem o direito de defesa.Foi ainda nesse ano que ela receberia a notícia que mudaria irreversivelmente sua vida. Ao mesmo tempo, que a sua trajetória de vida nos angustia, nos deixa perplexos, ela nos faz refletir, nos serve de exemplo, imediatamente nos recuperamos do impacto e somos tomados por um sentimento de admiração e de vergonha das nossas próprias fraquezas.
Alexandra de 43 anos é portadora de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença rara que não tem cura e que progressivamente paralisa os músculos, sem no entanto paralisar a atividade cerebral.Mesmo assim, sem se mexer, ou falar, ela escreveu o livro" Descasos: uma advogada ás voltas com o direito dos excluídos, usando os únicos movimentos que ainda lhe restavam , os movimentos do nariz e depois arregalando os olhos , onde indicava ao namorado, que palavras escrever,utlizando um software instalado no notebook por uma fonoaudióloga.O livro lançado em 2010, levou dois anos para ser concluído. Também é desta forma que Alexandra Lebelson Szafir continua a exercer a profissão de advogada. Ela é a irmã mais velha do ator Luciano Szafir e é mãe de uma menina e um menino (10 e 12 anos).
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Alexandra com o irmão Luciano Szafir |
Palavras da Alexandra:
"É um vilão bem pior que os seres nunca conseguiriam ser" (relata Alexandra sobre a doença).
"Estava praticamente incomunicável, minhas ideias, meus pensamentos, presos na minha cabeça".
"Não tenho vocação para ser infeliz, então minha vida familiar é o mais normal possível".
Realmente, não tenho do que reclamar, Meu Deus.
Ps: Quero agradecer à todos os recadinhos que recebi e as palavras carinhosas de todas vocês: Jana, Chica, Cynthia Holanda, Nai, Cíntia Branco, Lê, Lívia e Laíssa, Nanda e Jussara. Amo vocês em Cristo.
Beijos e logo, logo, eu volto.